Ambiente - III
Canas de Senhorim ameaça levar sacos de urânio a Belém
Um tractor de urânio irá ser retirado, hoje, das antigas minas de Urgeiriça, em Canas de Senhorim, como forma de protesto do "isolamento e abandono" da freguesia. Na próxima semana, a perigosa mercadoria será transportada para Lisboa e depositada à porta do Palácio de Belém, assegura Luís Pinheiro, presidente da Junta local e líder do Movimento de Restauração do Concelho de Canas de Senhorim (MRCCS). No local, será deixada um bandeira com as cores de Canas de Senhorim.
A acrescentar a esta "velha reivindicação" de Canas de Senhorim, o MRCCS pretende impedir a saída de 127 toneladas de urânio concentrado (ou seja, metade das reservas existentes) nas desactivadas Minas de Urgeiriça que, alegadamente, o Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação, pretende vender à Alemanha e cuja mercadoria foi avaliada em cerca de 3,5 milhões de euros.
"A nossa luta mergulha em razões muito profundas. Permitiu-se encerrar duas grandes empresas (Companhia dos Fornos Eléctricos e Minas de Urgeiriça) e lançar no desemprego 1200 trabalhadores. Canas de Senhorim sempre contribuiu para o Orçamento Geral do Estado, mas agora, chegou a altura de dizer basta. Não podemos continuar a ser esbugalhados nos nossos direitos de cidadania", adiantou Luís Pinheiro.
Como pano de fundo da polémica, sobressaem, não só as antigas guerras travadas com a Câmara Municipal de Nelas, devido ao "constante isolamento e à falta de investimentos" na freguesia vizinha e, também, ao veto do presidente da República que permitia a Canas de Senhorim a elevação à categoria de concelho.
Salazar e Sampaio
"Salazar explorou a terra e Jorge Sampaio segue-lhe as pisadas. O presidente da República tem graves responsabilidades no clima de crispação existente e, por isso, iremos desencadear novas formas de luta", afirmou o líder do MRCCS.
Questionado pelo JN para elencar a alegada "falta de investimentos" locais, o presidente da Junta de Canas de Senhorim alertou para as "ruas sem passeios, esgotos a céu aberto, falta de planeamento e ausência de medidas que atenuem as difíceis condições de vidas das populações".
Perante as denúncias, o JN tentou contactar o presidente da Câmara de Nelas, mas o autarca mostrou-se indisponível para comentar os problemas de Canas de Senhorim. Para além das rivalidades caseiras, existem no concelho graves problemas ligados à radioactividade e de carácter ambiental. "Existem quatro milhões de toneladas de resíduos perigosos. A situação exige medidas concretas e imediatas. Como o impasse continua, iremos denunciar a situação junto da comissária europeia do Ambiente", contou António Minhoto, da Associação Ambiental das Zonas Uraníferas. "O material existente há vários anos nas minas de Urgeiriça é radioactivo e, como tal, deve ser retirado rapidamente para dar lugar à urgente recuperação ambiental", concluiu.
Ainda bem que estas preocupações entraram, definitivamente, no role das inquietudes da população. É de facto grave o que se está a passar.
Tenho atacado o Presidente da Republica neste espaço, mas parece-me que estamos a confundir alhos com bugalhos. Neste particular o que tem Jorge Sampaio a ver com a situação?! Compete exclusivamente ao Governo (quer local, quer central) a resolução destes problemas.
No caso da venda das reservas que se encontram ainda na Urgeiriça, a responsabilidade é do Governo de Santana Lopes e dos organismos que tutela. Isto prova o que já defendi também antes. Ninguém, excepto os Canenses, se interessa pelos seus problemas. Não será por demais evidente que todos os partidos políticos, incluindo o PSD estão nisto de forma muito leviana e ao sabor do vento?
Acusar o Presidente de querer vender o urânio só pode descredibilizar uma luta que se quer séria.
Pelo concelho e pelas preocupações em causa penso, no entanto, que é de apoiar e estar presente nesta acção.

Quando uma luta encontra parceiros de combate, mais visibilidade toma.
Penso que um dos parceiros de gesta poderia bem ser a AZU, que hà muito vem lutando neste campo.
Se a acção em Lisboa for meramente panfletária, perde-se a profundidade do tema: o Ambiente.
Não estou dentro dos contornos da acção... Mas não seria de envolver outras associações ambientalistas, de caracter nacional, neste tema? Quercus? Geota? Liga para a protecção da natureza?
Que trabalho se tem feito com os grupos parlamentares, mais sensíveis a estas questões?
Lanço as perguntas porque não sei...
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gaivina |
2 de Nov de 2004 01:30:00
Acha sinceramente que existem preocupações ambientais nestas acções?!
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Sr. Fulano Tal |
2 de Nov de 2004 10:18:00
Já vivi umas dzenas de anos, sou filho de um mineiro,fui criado na Urgeiriça,sou e sempre fui interessado pelo meu municipio e pela minha freguesia,quando o 25 de Abril chegou penso que era dos poucos que nesta fraguesia de Canas de Senhorim estava politicamente preparado para o receber,estou completamente aturdido com tanta ignorância e muito preocupado pois parece-me que a bacocada é quem mais ordena nesta terra.Continuem a dizer e a fazer asneiras e pode que vão parar perto.
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jonh |
9 de Fev de 2009 20:12:00