Terça-feira, Setembro 28, 2004

11 de Setembro de 2001 - NY

Alguém por aqui sabia que tinha perecido um conterrâneo nosso no ataque às torres gémeas em 11 de Setembro em Nova York.

Pois parece que sim. De seu nome Carlos da Costa, mudou-se para Elisabeth com 10 anos de idade com a família.

Os meus sentimentos, lamentavelmente tardios.

http://www.legacy.com/LegacyTribute/Sept11.asp?Page=TributeStory&PersonId=127791

Domingo, Setembro 26, 2004

A Realidade Assíncrona de Jorge Sampaio

Retirado do Jumento (http://jumento.blogdrive.com) fica a seguinte, constatação, com que tenho, obrigatoriamente, de concordar.

"Quando o país debate a justiça Sampaio anda em semana de ambiente, quando o problema é o ambiente Sampaio viaja pela ciência, ou quando o país se afunda na maior crise do seu sistema de ensino Sampaio viaja pela saúde. Temos dois países reais, aquele que nos preocupa em cada o momento e um outro em que vive Jorge Sampaio."

Mais uma constatação pertinente e que nos deve dar alento para continuar a lutar, coligindo todas as ideias válidas. Também aqui o Dr. "andou aos papeis".

Noutro dia, já não sei onde, ouvi, mais uma vez, o Sr. Presidente a falar sobre o Concelho de Canas de Senhorim.
Dizia o Dr. Sampaio: “ ….eu conheço muito bem o problema de Canas de Senhorim…”
Pode ter sido interpretação minha, mas notei um ar fortemente irónico que até aqui não tinha constatado no Sr. Presidente, enquanto proferia estas palavras sobejamente conhecidas. Ele sempre nos disse, nas entrelinhas, que iria vetar o diploma da nossa liberdade. Nós, cegos pela esperança é que não entendemos os seus sinais.

Sábado, Setembro 25, 2004

Soíma

Fiquei intrigado com as declarações do Sr. Manuel Morais, empresário da Soíma que recentemente instalou (felizmente) uma unidade de produção em Canas.

Segundo o Jornal do Centro, edição de 24/09/2004:

….
“Numa visita aberta à comunicação social, Manuel Morais mostrou as instalações de Canas de Senhorim como quem revela a intimidade de um lar. Um lar que o empresário gostaria de ter construído na sua terra de origem. "Foi o autarca de Nelas que soube do interesse da Soíma [em construir novas instalações], ligou-me, desafiou-me e perguntou se não queríamos ir para Canas de Senhorim" – explicita Manuel Morais. "Outras câmaras municipais andaram sempre a fugir. Uma coisa é boa vontade, outra coisa é iniciativa. Queria ir para o Sátão, que é a minha terra natal e que não tem investimento nenhum; até tinha empregados de lá" – recorda, lamentando a atitude da autarquia do Sátão: "Não quer saber a displicência com que o assunto foi tratado, as coisas que fizemos; acabei por desistir".
….

Estranho, não?! O "monstro" terá acordado bem disposto?
Mas que outras venham que serão bem vindas.

O Percursos vem a Canas de Senhorim

Nas Casas do Visconde, em Outubro. Aproveitem!

http://www.ccb.pt/ccb/percursos/site/index2.htm

Quinta-feira, Setembro 23, 2004

Reflectir

Depois de tantos anos de luta,
Depois de tantos inimigos abatidos
Depois de enfraquecer outros tantos,
Depois de fazer levantar o número suficiente de deputados do parlamento,
Só faltando uma assinatura de um homem,
Será que a ideia do Concelho vai desmoronar-se quando só falta saltar o último muro?
Para saltar esse muro é preciso a ajuda de todos, claro os que concordam, com a ideia de concelho, mas também com os que não concordam, porque Canas concelho não é só para os que lutaram por esse ideal mas para todos os canenses sem excluir ninguém.
Vozes discordantes sempre houve e haverá mas onde elas estavam antes do chumbo do presidente?
Porque é que não nos unimos todos em volta do ideal que será o melhor para Canas que é ser concelho?
Só falta uma barreira que temos de quebrar, apelando ao bom senso de quem o pode fazer.
Porque é que as vozes discordantes também não se insurgem contra o Presidente da República?
Senão vejamos, onde elas estavam quando o Presidente (o mesmo) criou os Concelhos de Vizela e Trofa?
Nem um nem outro preenchia os requisitos para serem concelhos ao abrigo da Lei Quadro vigente.
Porque é que nessa altura o nosso Presidente não falou em criar o tal "Livro Branco" para os concelhos?
Vizela não foi criado através de uma promessa eleitoral do Eng. Guterres?
Passado alguns anos, os dados são os mesmo, menos a cor do poder.
Canas é promessa do Primeiro Ministro Durão Barroso,
Canas não se enquadra na Lei Quadro,
E o nosso Presidente Chumba o Nosso Concelho.
Onde estavam as vozes críticas nessas altura?
Não se devia criticar a dualidade de critérios que existiu de um homem eleito por um País para gerir o melhor o mesmo e não para se deixar levar por caprichos do seu partido?

A ideia do blog foi estupenda e vale a pena opinar em prol da terra.

Sexta-feira, Setembro 10, 2004

E já agora fica um de Boaventura de Sousa Santos

As Lições de Canas
Publicado na Visão em 10 de Julho de 2003

Não sou adepto da multiplicação discricionária de municípios. Não será por essa via que se conseguirá a redistribuição mais equitativa de recursos pretendida pela frustrada regionalização. Mas há casos e casos e Canas de Senhorim é o caso de uma localidade que merece inteiramente ser elevada a concelho. As perspectivas e as escalas de análise dos comentadores políticos são incapazes de detectar e valorizar os factores que fazem do movimento municipalista de Canas um processo exemplar de luta democrática pelo direito a ter uma voz autónoma nas tarefas de desenvolvimento do país. Eis alguns desses factores.
  1. Tratou-se de um genuíno movimento popular, dominado por um forte espírito comunitário caldeado em experiências de trabalho nas fábricas e nas minas e de rico associativismo local e orientado para um objectivo concebido como de participação democrática: a autonomia municipal. Isto explica a tenacidade e durabilidade da luta - o movimento remonta a 1975 - e sua capacidade para manter ao longo de quase três décadas altos níveis de mobilização.
  2. A força do movimento foi-se alimentando de permanente construção de uma memória comum - e não esquecendo que Canas foi concelho entre 1196 e 1852 e entre 1867 e 1868 - assente na concepção e execução das formas de luta, na assunção de símbolos agregadores e politicamente transversais e na comemoração de datas marcantes do movimento. É por isso que o dia 2 de Agosto será provavelmente escolhido para feriado municipal, por ter sido nesse dia, em 1982, que a população se mobilizou contra a saída da estação dos correios da vila, tendo cortado a linha férrea e entrado em confronto com as forças policiais. É por isso também que essa data e esse acontecimento se festeja anualmente no largo 2 de Agosto, tendo sido aí também que a população explodiu de alegria e de festa para celebrar a elevação a concelho.
  3. Sobretudo a partir de 1997, o movimento assumiu uma estrutura organizativa própria de democracia participativa com reuniões e sessões de esclarecimento regulares onde se confrontavam diferentes vozes e opiniões e se definiam estratégias de acção. E neste domínio é de salientar o papel das mulheres, uma presença activa mobilizada e mobilizadora ao longo de todo o processo de luta, com uma participação por vezes autónoma a significar a sua diferença no modo de serem iguais na reivindicação da cidadania no espaço público. Não surpreende por isso que as mulheres tenham decidido organizar autonomamente um dos dias de festas que se seguiram à elevação a concelho.
  4. O movimento soube combinar a acção directa pacífica com a acção institucional. É sabido que a vitalidade da democracia se alimenta de ambos os tipos de acção e, por isso, na articulação entre elas, se sabiamente feita, reside o aprofundamento democrático. O movimento de Canas recorreu à acção directa em múltiplas ocasiões e foi perspicaz na trama da atracção dos meios de comunicação social. A algumas acções menos felizes seguiram-se outras verdadeiramente notáveis pela sua criatividade (como a do avião que fizeram aterrar na Assembleia da República). No plano da acção institucional souberam, em geral, manter a autonomia do movimento em relação aos partidos. E valha a verdade, os partidos corresponderam a essa vontade, suspendendo as suas actividades na localidade. Quaisquer que tenham sido os acidentes da votação final, é significativo que a elevação a concelho tenha sido aprovada com os votos do PSD, CDS, PCP, BE e PEV.Num momento de pessimismo nacional é consolador ver uma comunidade a festejar o êxito da sua luta pela auto-estima, um êxito que se afirma numa vitória democrática traduzida numa votação da Assembleia da República

Para opinarem de acordo com o que acharem bem aqui fica o seguinte texto:

Os Dois Agostos de Canas de Senhorim
Por NUNO AMARAL
PÚBLICO
Segunda-feira, 02 de Agosto de 2004



A freguesia de Canas de Senhorim comemora hoje um dia carismático com um travo ambíguo na boca: de orgulho e de vergonha. A data, 2 de Agosto, representa o marco de um genuíno movimento popular, dominado por um forte espírito comunitário e orientado para um objectivo de envolvimento democrático: a criação do concelho. Há 22 anos, em 1982, que a população se mobilizou contra a saída da estação dos correios da vila, tendo cortado a linha férrea e entrado em confronto com as forças policiais. É por isso também que essa data e esse acontecimento se festejam anualmente no largo 2 de Agosto, eventualmente na mesma praça que, há pouco mais de uma semana, recebeu cartazes pedindo a cabeça a Lira Keil do Amaral. "A Lira é uma víbora venenosa que tem que ser morta" ou "a Lira tem de morrer". Ora qual foi o crime de Lira? Lira Keil do Amaral, habitante de Canas de Senhorim, escreveu no "Jornal do Centro" aquilo que muitos habitantes não ousariam fazer. Por receio, apenas. Ousou assumir que teve medo de ir votar nas eleições europeias, e que considera que o movimento que luta pela restauração do concelho de Canas "está completamente dominado por um grupo fanático, que deseja mais o espectáculo do que resolver os problemas da terra. Nunca se lhes ouviu um plano de desenvolvimento". Além dos cartazes, foi posto a circular na freguesia um "Manifesto Anti-Lira", assinado por outro habitante chamado "Conde Montanelas, vingador e tudo". Num jaez deplorável e num estilo pútrido, Lira Keil do Amaral foi insultada porque afirmou que teve medo de ir votar. Não foi, decerto, este o espírito que há 22 anos moveu a população que se bateu por uma causa que assumiam como justa. O princípio da legitimidade da luta pela autonomia pode até ser transportado para este Agosto, a forma como se desencadeia é que parece ter recuado à idade da barbárie

Quarta-feira, Setembro 08, 2004

Ambiente

“Quem não sai da sua casa,
Não atravessa povos, montes, vales,
Não vê as cenas bíblicas das eiras,
... Cria mil olhos para nada...”

Irene Lisboa



Está transcrito no site da CM de Nelas, servindo de nota introdutória à “grande” medida, em termos de política ambiental, do município. A Quinta da Cerca.
Ainda segundo o referido site irão existir naquele local, entre outros equipamentos:

  • Uma Quinta Pedagógica, que recrie a ecologia da paisagem
  • Um Parque de Jogos didácticos, plurinuclear
  • Uma Rede Articulada de Percursos Pedonais, em animais e B.T.T.
  • Um Circuito de Manutenção, que inclui Desportos de Natureza
  • Um Jardim de Lazer e um Parque de Merendas
  • O Horto Municipal
  • Um pequeno Centro de Congressos, Formação e Educação Ambiental, Formação “Outdoor” e Animação Cultural.


Alguém deve ter inserido de forma inusitada a referida quadra pois a atitude dos regedores daquelas paragens é a de quem não tem olhos em termos de politica ambiental. Caso assim não fosse não estariam tão quietinhos no que concerne à radioactividade da Urgeiriça enquanto se entretêm a brincar às quintinhas. (será que o parque “plurinuclear” terá uma escombreira composta por calhaus como o da figura seguinte?)

Autunite (fosfato de urânio).Local: Minas da Urgeiriça

Terça-feira, Setembro 07, 2004

Um blog sobre Canas?!

Quando surgiu entre um grupo de amigos a ideia da criação de um blog onde pudessem ser expostas ideias sobre Canas de Senhorim e os seus problemas, nomeadamente sobre o mais premente e que incapacita esta freguesia, outrora a mais dinâmica e industrializada do Distrito de Viseu e da região centro, de se desenvolver e de alcançar o lugar que lhe pertence estrategicamente, aderi de imediato e com entusiasmo.

Parece-me que através dele poderemos expressar opiniões e fazer parte de uma discussão que se quer aberta a todos os Canenses. E neste caso Canenses devem ser todos os que integrarão o futuro Concelho de Canas de Senhorim, que por direito e dever não devem abdicar de fazer ouvir a sua voz.

Pode também este espaço servir para dar eco ao descontentamento permanente sentido, fruto das políticas caciqueiras de um sáurio nelense, que se julga dono e senhor da razão. Infelizmente neste “País” à beira mar plantado parece não existir Instituição que controle a diarreia mental de tal criatura e dos seus seguidores e que permite que no seu covil não haja o mínimo respeito por todos os cidadãos do concelho. Só assim se pode compreender como é possível que se contabilizem 15 mil habitantes na receita (impostos locais, FEF, etc) e apenas 5 mil na despesa, alimentando assim, artificialmente a vila sede de concelho e à custa de toda a restante população.
Quis o Sr. Presidente vetar o Concelho de Canas de Senhorim, fazendo valer os poderes constitucionalmente consagrados. Não quis, no entanto, fazer valer esses poderes e outros que decerto possui, para que se fiscalizem situações como as que se passam nesta terra. Dois pesos e duas medidas. Com a credibilidade de que goza neste momento podemos esperar melhores dias.
Valha-nos Santanaz

Sábado, Setembro 04, 2004

Canas & Senhorins

Para quê um “blogue” sobre Canas de Senhorim?

Muito se vem falando do Futuro de Canas pelos cafés, à volta do borralho, em encontros um pouco por todas as esquinas. Mas nunca o debate foi livre de preconceitos e produtivo nas suas consequências.
Este espaço democrático e imaginativo é promovido por um grupo de jovens de Canas que assim pretendem acrescentar algo a esta reflexão, sobretudo pensando que eles serão os grandes actores do Futuro da nossa terra.
Neste grupo há gente a favor da ideia de um Concelho de Canas, outros contra e, ainda, um grupo significativo sem opinião solidificada. Numa coisa estão de acordo: o debate deverá ser sério, edificante e sempre com os olhos postos nos dias que estão para vir. Para além desta questão que tem aquecido os ânimos da nossa gente, pensamos que este blogue poderá servir como espaço de identificação de problemas e procura de soluções; competindo aos que ocupam, de momento, responsabilidades públicas retirarem daqui ensinamentos positivos.
A todos os participantes deste blogue, Fórum da nossa alma Canense, pedimos decoro, elevação e sentido prático na vossa participação.
Estão abertas as portas sem “pisões”!

Sítios Canenses

Referências

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