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Ainda o Carnaval!

Apesar de tarde, aqui fica, uma simples e apeladora descrição do nosso carnaval...

Carnaval noite e dia em Canas de Senhorim
Texto de Liliana Garcia no Jornal do Centro

"Às 15h00 os grupos de foliões começam a organizar-se em corsos, de um lado Paço, do outro, Rossio. Uma divisão, para melhor juntar a animação carnavalesca em Canas de Senhorim.
As "quatro esquinas" começam a ser apertadas para os visitantes do Carnaval. E a espera é entretida com farturas, pipocas ou cerveja.
Começa a ouvir-se a marcha do Rossio e a bandeira, agitada por uma jovem de vermelho vestida, faz adivinhar o carreiro de grupos e carros alegóricos. Seguir-se-á o corso do Paço.
As caras repetem-se, ano após ano. Os mesmos grupos aos quais se juntam os mais novos. Uma alegria ateada pelo bairrismo. Um entusiasmo, de dois dias, que alimenta as lojas de tecidos e as costureiras da vila.
A cor, os pulos, os rasgos de ironia, a crítica. Os carros alegóricos com figuras de "Nemo" e "Shrek" convivem com a realidade política. Enquanto o carro "Bordel da Assembleia" lança provocações sobre quem vê; o Zé Povinho, de barril vestido de reivindicações, lança um olhar de lamento sobre um Jorge Sampaio vestido de imperador.
Dois desfiles, de cada um dos corsos, e segue-se o "Despique". O frio não faz arredar o pé dos mais foliões. Os carros assumem já o ar de página amarelecida, como se, naquela fase, já fossem memória antiga.
Agora é pular, pular, a ver quem mais salta. Para ver quem não rende as pernas ao cansaço. As máscaras já se começam a tirar. A noite entra pelo corpo.
Seguem-se os bailes, do Rossio e do Paço. E os mais novos rumam para o "Quebra-Tolas", o bar que, nestes dias de Carnaval, se despe de mesas e cadeiras e virá chão para dançar. E só à noite os sons do Brasil soltam os movimentos do corpo. A cerveja começa a contabilizar-se no número de copos de plástico que se vão amontoando no chão que se pisa, em jeito de dança."
É bom ver o nosso carnaval reconhecido, ainda que pela imprensa regional, já que, a imprensa nacional prefere dar relevo a carnavais abrasileirados, que não fazem o nosso género...
O nosso carnaval sim, é digno de ser chamado Carnaval Português...
Venham cá para o ano, esqueçam as imitações brasileiras...

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Referências

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