Jornal As Beiras de hoje, 17/06/2005.
Segundo notícia de hoje do Jornal referido e do Diário Regional de Viseu, já há uma lista para concorrer à Junta.
Permitam-me uma pergunta (inocente). Suponho que isto foi decidido na última sessão de esclarecimento, não foi?
Espero agora que possam aparecer mais listas. Como já alguém aqui disse, vamos esperar para ver quais as propostas desta e doutras listas que eventualmente surjam para sabermos em quem votar. Eu já sei!
"Canas de Senhorim insiste na independência
O Movimento de Restauração do Concelho de Canas de Senhorim vai recandidatar–se nas autárquicas naquela freguesia, que exige a independência do concelho de Nelas.
Para já, a única coisa que está decidida é que o movimento se vai recandidatar. Quanto ao que a população irá fazer no dia das eleições ainda não foi nada decidido”, explicou Luís Pinheiro, líder do Movimento de Restauração do Concelho de Canas de Senhorim (MRCCS), que volta a encabeçar a lista para a Assembleia de Freguesia nas autárquicas de Outubro.
“Em princípio, a lista vai incluir as mesmas pessoas, porque não há qualquer motivo para alterações”, adiantou.
O MRCCS, que foi eleito nas intercalares de Julho de 2002, já deu conta da sua intenção aos habitantes da freguesia e pediu–lhes que “não fizessem parte de nenhuma lista” para a Câmara ou Assembleia Municipal de Nelas. “Fizemos esse apelo à população, mas este é um processo democrático”, frisou.
Luís Pinheiro explicou que o movimento está a ver “como é que se posicionam as forças políticas” antes de decidir o que fazer no dia das eleições autárquicas, porque “até agora não se sabe se algum partido vai avançar com listas para Canas”.
“Na minha opinião, seria um contra–senso os partidos que apoiam o projecto de elevação de Canas de Senhorim a concelho virem cá apresentar um candidato, mas tudo pode acontecer”, referiu, lembrando que, quando foi eleito, o MRCCS concorreu sozinho.
O autarca considera que é importante o MRCCS recandidatar–se, uma vez que “se a freguesia já está mal, sem a junta a funcionar ficaria ainda pior”.
A freguesia de Canas de Senhorim reivindica a separação do concelho de Nelas, alegando que a Câmara a tem deixado ao abandono, sem investimentos.
Como forma de exigir que o caso de Canas de Senhorim fosse discutido na Assembleia da República, desde as autárquicas de 1997 que os populares vinham boicotando os actos eleitorais, nomeadamente os que se realizavam para a Assembleia de Freguesia (que desde 1999 funcionava com uma comissão administrativa).
O “jejum” eleitoral foi quebrado nas legislativas de Março de 2002, na sequência de um apelo do Presidente da República, Jorge Sampaio, para que a legalidade fosse reposta na freguesia, e da promessa dos partidos de que voltariam a levar o projecto–lei da elevação de Canas a concelho à Assembleia da República.
Em Julho desse ano, os populares voltaram a votar nas intercalares, elegendo a única lista candidata, a do MRCCS.
Cumprindo o prometido, PSD e o BE apresentaram o projecto–lei na Assembleia da República, que viria a ser aprovado a 1 de Julho de 2003, com os votos contra do PS.
O povo festejou mas, no último dia do mesmo mês, Jorge Sampaio desfez o sonho de décadas, ao vetar a lei–quadro de criação de novos municípios, impedindo assim a elevação de Canas a concelho.
O boicote regressou à freguesia nas eleições europeias realizadas há um ano, com o MRCCS a responsabilizar o Presidente da República pelo “descalabro total da vida pública” local.
Já nas legislativas de Fevereiro passado, os populares decidiram votar em branco, em respeito à Assembleia da República, único órgão que consideram ter tentado resolver a situação de Canas de Senhorim.
“Autonomistas têm excedido o aceitável”.
Os parlamentares portugueses cedem, segundo a eurodeputada socialista Elisa Ferreira, a “vontades locais” em prejuízo do “interesse nacional”, que aconselharia as fusões de autarquias. Revelando, embora, “respeito” face aos movimentos de emancipação de localidades, a antiga ministra do Ambiente e Planeamento insistiu, numa audiência em Santo Tirso, que “primeiro está o interesse nacional” e advertiu, numa referência expressa ao caso de Canas de Senhorim, que os autonomistas “têm excedido o aceitável na manifestação da sua vontade”-. Em seu entender, “o interesse nacional não é feito do somatório de interesses locais” e Portugal, “com dificuldades orçamentais gravíssimas, não deve favorecer as partições”."